29 novembro 2010



”Eu fazia do amor um cálculo matemático errado: Pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.” (Clarice Lispector)

28 novembro 2010

Queria que fosse meu..

"Tinha desejos violentos. pequenas gulas, urgências perigosas, enternecimentos melados, ódios virulentos. Ouvia canções lamentosas, bebia para despertar fantasmas distraídos, relia ou escrevia cartas apaixonadas, transbordantes de rosas e abismos"

Caio Fernando de Abreu


Vitória sabia que chegaria o dia, a hora para poderem conversar, pôr tudo em ordem.

Teus olhos castanhos fixos em mim. Parecia que enxergava a minha alma, minhas dores..
Tua palavra fixa e concisa era da forma que teu olhar penetrava em mim.
Tudo esclarecido . Tudo foi falado, devidamente explicado. A sensação de alívio que isso de repente se estabelecia era incrivelmente confortante, mas desesperador.. Crescia um carinho e vontade de aconchego.
Mas tudo se acabara em uma única confidência; Tu já encontraste alguém para poder suprir minha ausência.
Sentencio-me quando começo a pensar em você e, todo o julgamento não dura mínimos segundos.
Como diz a música “Tudo passa e eu ainda ando pensando em você”..E, “o tempo faz tudo valer a pena e nem o erro é desperdício”.
Sofria com a saudade  tu gerava em mim..
Mas tu não és meu..

E começou a escrever uma carta...

"Já chega. Não suporto mais que tu não sejas só meu e eu, não tua.. Não quero te dividir. Teus olhares me fascinam. Me deixam maluca e não sei o que fazer. Tens o poder avassalador de me desestruturar completamente. Parece que conheces minha alma profundamente. Sabe do que exatamante eu gosto.Sabe qual o lugar e que me faz derreter. Perco toda a resistência que é capaz de derrubar um exército.Mas, quando és tu que vens, nenhuma armadura é capaz de superar esse teu olhar e essas tuas palavaras que me  desarmam..
Não posso deixar que tu sejas tanto em minha vida, mas não posso ser tua e nem tu meu!
Não vou mais te olhar nos olhos. Não vou mais te esperar e nem te escrever mais.
Não me procure.."

Ps: eu ainda te quero muito..

Olhou tudo aquilo ela não tinha coragem de dar aquela carta. Ela queria e não queria tudo aquilo..
Se sentiu fraca. Isso desceu da pior forma, como um alimento sólido de difícil digestão. Mas com ele era realmente fraca.
Já não sabia mais o que fazia.
Pegou uma garrafa de vinho e uma barra de chocolate e pôs-se a ouvir música e a tentar decidir..

Em vez de faces, jeitos, vozes, nomes, cheiros, formas, chegam-me somente emoções confusas ou palavras.”
Caio Fernando de Abreu


"Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."
 Caio Fernando de Abreu

"Onde foram parar as teorias, os diálogos que você planejou, a decisão que parecia irrevogável? Tomaram Doril. Você agora está sob os efeitos do cheiro dele, está rendida ao gosto dele, está ligada a ele pela derme e epiderme. A gravação do seu celular informa: seus neurônios estão fora da área de cobertura ou desligados."
Martha Medeiros

24 novembro 2010


É o passo incerto em meios ao teus atos tão certos que me permitem perder nesse desvaneio.
Sinto. Vivo. Quero. Faço.. o que? Pra depois ouvir-te dizer que não valeu a pena, queria mais, eu podia dar mais..
São as amarras de sentimentos que me deixam-me assim.. Louca desvairada e sem saber o que fazer..
retornar.. Viver..
Bom seria se contigo eu pudesse estar e, ter acertado desde o primeiro instante, não mentir e não esconder pra mim mesma..Você sabe o que..
Mas, sempre há como recomeçar.. Ei, por onde começa?!

22 novembro 2010


Queria entender aquilo que você não entende.
Queria saber como tua mente reage a cada situação. Saber o que acontece dentro de você a cada vez que fica assim. Poder saber o porque, se você não sabe qual o motivo de estar assim, queria ser eu a decifrar. Queria dar aquilo que só o tempo dá.
Queria ver aquilo que você não não vê. Ser complemento. Preenchimento de todo o seu vazio. Sobretudo, ser felicidade nessa hora. Alegria. Ser repostas as tuas perguntas, se as tem. Ser refúgio, alívio, alento, conforto. Quero te colocar no colo, te dengar..
Meu coração dói só em pensar em você quieto, silencioso. Os passos também silenciosos..

17 novembro 2010



"Não sabia que doeria tanto, que era tanto,que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber de amor, entender um amor. 
Eu ainda estava quieta agora há pouco, eu ainda estava sem pensar e sem sentir, de repente me deu uma calma, nenhuma desgraça aconteceu, você desceu pelas escadas, eu fechei a porta do apartamento e não chorei mais. Eu fui para o banheiro escovar os dentes, acho que escovei os dentes, não lembro, e botei uma camisola e fui pra cama e não chorei, não pensei, não senti, não chorei, não entendi, não pensei, não sei acho que dormi.
Eu caminhava, eu e ao parque, então caminharei, mas falta você e não falta, o estrondo está diminuindo, o barulho cessou, será que eu já percebo o acidente?
Liguei o computador, escrevi, que é como organizo meu pensamento, escrevi e parecia que eu estava dilatando a mim mesma no texto requentado, agora acabou, agora é comigo, sei que vou conseguir, tenho meus motivos, e me dei várias explicações, tentei me convencer, eu estava tão racional, tão genial, eu quase consegui, e não almocei, zanzei pela casa.
Não sei se as pessoas choram de forma diferente uma das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que o nunca tem limite.
Eu estava abandonando uma vida que não teria mais, que sofreria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí no vácuo, perdi a parte boa de minha história, e não quero outra."
Martha Medeiros

PS: Este texto expressa o muito que há em mim. Martha pode externar tudo o que agora, hoje sinto.
PsII: Sou uma borboleta e não sei voar..

08 novembro 2010

A todo instante fico a te imaginar como uma coisa boa que passou. Passou?! Acredito que não. É tudo muito fixo em minha memória. Por um momento pude esquecer alguém inesquecível, mas como esquecer dos olhares, do tocar do lábios e o cruzar do abraços? Saudades até mesmo das discussões, pois tinha a certeza que nossos lábios podiam se beijar com mais intensidade. Belo tempo. Hoje tudo se desperta novamente, parece que estou vivendo tudo de novo.
Estranha essa saudade tão inevitável.
Concertar-me neste momento é bem difícil. Quero sentir o cheiro novamente, a vontade de vê-lo de novo. A certeza que ao final do dia eu encontre e me diga: "Senti muito sua falta". E depois nos beijaremos numa total entrega e satisfação.


Pedi pra não jogar fora minhas palavras..
Pedi pra não permitir que outro alguém chegasse em tua vida a não ser eu.
Pedi milhões de vezes que fizéssemos uma viagem.
Pedi pra velar por nós, mesmo dormindo, mas quiseste velar só quando estavas acordado.
Pedi pra que teus lábios fossem só meus.
Pedi pra que tudo fosse nosso.
Pedi inúmeras vezes que não esquecesse do meu cheiro. 
Pedi tantas coisa, e hoje tudo o que fazes é contrário aos pedidos-pedidos feitos, no entanto nem mesmo promessas existiram. Tu não podes ser só meu. Teus lábios não são só meus. Nossa viagem bem que poderia ser nossa..

06 novembro 2010

É.. Sábado..

Tédio. Sono. Cansaço. Vontades. Loucuras. Saudades. Paradoxos. Verdades. 
O que fazer num dia de sábado com tudo isso borbulhando dentro de si e sozinha?
É deitar e dormir...

Pérolas dos amigos!

Foi numa empolgação que começara a estória, minha mente acompanhava cada detalhe que fazia quando menos espero ela diz: "Como é mulher, aqula palavra que todos falam tal.." E tentávamos saber qual era e finalmente ela: "Sim, bode ejaculatório!!!" KkKK Num dá né? o que ela quis dizer hein? rs


Era natal noite de festa e alegria.. E fogos!! Sim, apesar de não ser ano novo, há fogos também.rs
Cantávamos: "Noite feliz, noite feeeeeee....." e escuta-se "ooooooooooollllhhaaaaaa" hehe Foi aqueles fogos tipo de ano novo rs Tudo no microfone. AO vivo e a cores rs


Noite de domingo. Pizzaria. Amigos. Cansaço depois de um final de semana de retiro. Fantástico passando, ser mais precisa a hora que falam de esportes. Amigos nossos estavam querendo saber como tinha ficado a classificação do "timão" e pediu a uma amiga que ela dissesse o que tava passando tal, pois não davam pra ver. Ai ela foi olhar e disse com todo desgosto do mundo:"AH, agora tá na formula 1" kkkk só porque ela viu uns carrinhos, forma que usaram pra dizer a classificação de cada time rs Ainda bem que ela assiste sempreeeee o fantástico! rs 


Ps: Sempre aparece muiiiitas..rs Mas deixarei pra outros dias..
Acho que perceberam se tinham me visitado antes.. Eu mudei a cor de meu blog. Acho que é a quinta vez que mudo rs 
Alguns poderão achar que é falta de identidade, pode até ser. Mas assumo minha falta de identidade, um dia acredito que encontro rs
Alguns acharão que não, que apenas gostam sempre de ver o blog do mesmo jeito, para saber que é este o blog que realmente estava procurando.. Enfim..
Recebo críticas, não me importo..rs
Contudo, faz parte de minha personalidade ficar mudando direto.. Vivo sempre nessa constante inconstância, num é muito bom às vezes, mas acho que já aprendi a conviver com ela rs
Por favor, não deixem de visitar meu blog por isso viu!rs 
QUEM SABE EU GOSTE DESDE JEITO AQUI E FIQUE PRA SEMPRE COM ELE  rs
Obrigada por todas as visitas!!

01 novembro 2010


"Sou Fênix Como uma fênix, eu sou. Sou mulher, sou ardente. Sofro, choro, vou ao chão. Me torno cinzas, viro pó. Renasço. Em força plena, pronta para voar. Abro minhas asas, me aqueço, Me renovo, me regenero. É assim que eu sou. Eu queimo, e me deixo queimar. Mitológica, ou imaginária, não importa, o importante é que eu me permito sonhar."
 (Cláudia Banegas)



Juliana parte II





"Sinto muito sua falta minha querida. Não me deixa sem ti por muito tempo. Teus olhos sempre sabia como me confortar. Teus abraços sabia exatamente como me acalmar. Tua beleza me fascina! Como sinto sua falta minha amada!! Por favor, me deixa te ver!! 
Meu endereço é Rua José Albuquerque, 341, Vitória. Por favor, vem me encontrar.


Pra sempre vou te esperar.."

Pra sempre teu, Cherie

Não podia acreditar no que estava lendo! Podia ter um encontro com alguém.. Mas ele estava esperando a Juliana Maria.. O que fazer? Foi pra diante do espelho, sempre ele. Na carta dizia que a sua beleza o fascinava." Que beleza?" se perguntava. "E se eu fosse até lá? Pra conhecê-lo, dizer que ele errou de endereço e que as cartas não era pra ela. Pelo menos assim tinha com quem conversar né?" Falava em voz alta diante do espelho. "Não tinha nada a ver ela ir até lá." Decidiu não ir.
Passou quase um mês e as cartas eram diárias e a sua ida ao espelho também. Sua fisionomia ia mudando aos poucos. Cada vez mais ela ia deixando a voz sair de suas cordas vocais. Percebeu que tinha uma linda voz. Em alguma carta falava sobre música e ela foi procurar cds pra ouvir, foi aí que começava a cantar e ela ia se libertando cada vez de uma prisão que pela dor da perda tinha causado em sua vida. 
Cada vez mais se sentia bem.. E percebeu que estava apaixonada pelo o alguém da carta. As cartas diárias eram seu alicerce.
Decidiu ir até a casa do C.H.E.R.I.E.
Arrumou-se toda, deveria estar bem bonita pra que ele a visse. Foi crescendo dentro dela uma vontade de ser dele. Totalmente dele. Parou diante do espelho e viu que estava bem bonita, apropriada para a ocasião. Seu coração disparava. Voltou umas quatro vezes, mas decidiu e ela iria até o fim.
Chegando lá olhou o endereço, trouxe consigo todas as cartas. Devolveria todas. 
Quem abriu a porta foi um homem de pele branca, bem cuidado, forte, olhos pretos fortes, incisivos. Ficou sem palavras diante de tanta beleza. Gaguejando falou: "o.o.oolá...Sooou Juliana eeeeeee tenho que devolver essas cartas". Finalmente falou num só respiro. Ela pensou em tudo o que sentiu ao ler todas aquelas cartas, o bem que ela fazia. E se ele fosse um maníaco? Não num podia ser.. 
O rapaz bonito pediu par entrasse e com uma cara de interrogação. Juliana toda sem jeito entrou e começou a falar: " Eu não queria ler suas cartas, mas li e elas me fizeram bem. Contava as horas pra que suas cartas chegassem. Elas me deram um novo animo. Era a única forma que tinha e estar com alguém. Persoe-me sei que não era pra mim, mas não contive. Elas me fizeram muito bem. É como se depois de suas cartas eu tivesse descobrido o que era ser mulher. Por favor me desculpe.. E e e e e e e e EU ESTOU APAIXONADA POR VOCÊ!" Falou tudo isso numa fração de segundos. Corou pela última frase. E dizia a si mesmo "que tapada, que besteira eu fiz agora?"  O homem a olhou e riu. "Agora sim Juliana não sabia mais o que fazia. Ele estava rindo da sua cara. Pra que eu vim? Pra que? Droga droga!!!" 
O rapaz a olhou estudando-a e ali começaram a conversar. Falou de toda a sua vida, parecia que já o conhecia a muito tempo. Ele também falou dele. AO final uma descoberta: " Não fui eu quem escrevi estas cartas!" ele falou. Juliana ficou sem saber o que fazer, mas fez. Levantou-se e se despediu. Prometeram se encontrar outro dia.
Juliana foi embora dali feliz porque já estava bem.. Nunca tinha percebido o que ela fizera com sua vida. Riu de si mesma e disse "apaixonada!". Estava apaixonada pelas cartas não por ele.. E onde agora ele estava? Quem escrevera? Pra ela já não importava mais.. Viveria uma vida digna a partir de agora..




As palavras mudaram a vida de Juliana, assim como elas mudam a minha vida. E ainda o que a fez mudar foi o amor por cada parte dela. Começou com as palavras..

29 outubro 2010

"Se o cotidiano lhe parece pobre, não o acuse: acuse-se a si próprio de não ser muito poeta para extrair as suas riquezas."
Ela chega. A porta que estava entreaberta se escancara com sua chegada.
Vai até a cozinha pega um copo com água, coloca suas coisas sobre a mesa, liga a tv e senta no sofá,colocando suas pernas sobre a mesinha do centro que tivemos o descuido de deixá-la toda bagunçada.
O olhar voltado para a tv. Mas a percepção de seus pensamentos vagam.
Coloca o copo no braço do sofá e percebe com espanto e fala: "Oi, você tava aí? Venha cá..
Estava parada, encostada na parede por alguns minutos observandoo que seus gestos tão cotidianos queriam expressar naquele dia.
Tomou sua mão e sentou ao lado dela.
Perguntou já sabendo da reposta: "O que tá passando na tv?"
E com toda a sua espontaneidade de opnião fala: "oxi, lá sei!"
Sorrimos e voltamos a olhar para a tv, onde falava de um tal João e Maria.
Com meus pensamentos quis percorrer os dela:
"Será que pensa no João e Maria que se fala? Ou preferiu pensar no trabalho cansativo que teve? Ou ainda decidiu pensar na biologia, na botânica, na síntese de proteína, em citologia..Não, ela não pensaria. Ela odeia biologia. Então não ocuparia sua mente com coisas que odeia, não é próprio dela."
O cotidiano nos leva a percorrer o que o outro se apresenta, não dependente do agora mas, dos instantes seguintes.
Meio que desconcertada, pedi-lhe: "Me dá um abraço"
Ela sorriu e disse: "Vamos ver o por-do-sol? Ainda dá tempo."


E imediatamente saímos de mão dadas, caladas, caminhando pela orla da tal cidade.
O sol já estava quase  indo,mas o espetáculo de cada dia não passou desapercebido. Olhei para o lado e vi outros que também se impressionavam coma grandeza daquela beleza. O céu alaranjado, cores que são reais, foram pintadas a mão do Criador.
Ao percorrer o olhar sobre aquele cenário, o vento qe tocava o seu rosto e que bagunçava os cabelos. Olhei para ela. Os seus olhos contemplavam aquela beleza com seriedade. Não mais como estava diante da tv. Agora não era mais preciso pensar no que ela estava pensando. Toda a projeção de seus gestos revelou o que sentia. Olhei-a cuidadosamente , da forma de que é próprio dos que amam.
"Ilza".. sem conseguir a conclusão da frase , ela falou:  "Não imaginei que existiria, após uma sequencia de formalidades o desconcerto delas num só segundo."
Meu olhar permanecia fixo a ela enquanto esta continuava a olhar "O espetaculo" e a alternava olhando nos meus olhos.
Mesmo já ter olhado várias vezes seus olhos, tudo parecia e permanecia diferente. E prosseguiu com as palavras: "Te ver todos os dias no cotidiano não me roubou a beleza de ser surpreendida por ti, por teu olhar fixo e navegador."
Sorri e ela me olhou fixamente .
O sol já estava indo e agora o céu estava em tons de cinza.
O seu sorriso me compenetrou e me fez sorrir.
A razão de tudo, ou quase tudo está no cotidiano. A beleza da sequencia dos acontecimentos, tendo como personagens os amores-amigos.
Como vai o cotidiano com seus amigos? Se preocupa em decifrar seus pensamentos ou prefere pedir pra ver um por-do-sol?
Saímos dali parecendo que nada estava concluído. Há algo pra ser concluído? Tudo já estava concluído, pensei.
Esta é a beleza do cotidiano.
Sairemos daqui pra tomar coca-cola juntas e você?


PS: HOJE DECIDIMOS TOMAR VINHO.


Cabelos desgrenhados, mãos calejadas, unhas quebradas, olheiras, roupa amarrotada era assim que Juliana se via no espelho.
Idade: 35 anos
Família: quatro filhos pra criar e o  marido fora assassinado e até aquele momento não sabia qual fora o motivo.
Sonhos: Sentir-se mulher.
Planos: Pra ela nenhum, mas deveria lavar, passar, cozinhar cada vez mais pra dá uma vida digna a seus filhos.


Vida dura dizia pra si mesma. Nunca reclamava. Dava tudo de si durante todo dia. Bordava , lavava roupa pra fora, passava e era diarista numa casa de família. Era assim que sobrevivia. A casa onde morava era cheia de teia de aranha, o piso estava em péssimas condições, a porta de entrada fazia uma zuada enorme, era mal iluminada, a louça sempre ficava acumulada e ela sempre ficava sozinha. 
Desde que seu marido morreu, havia mais de um ano, ficou assim triste sem vontade de nada. Ela o amou como nunca amou ninguém, deu tudo de si e,  ele o mesmo fizera.
Sua vida se resumia ao que devia ser feito. Não falava nada o dia inteiro, guardava tudo pra ela. Não dava amor, mas também não o recebia. Nada. Era necessário fazer  que tinha que ser feito,sempre dizia a si mesma. 
Assim continuava vivendo. sobrevivendo..
Certo dia recebeu uma carta endereçada com seu nome escrito à lápis: Juliana Maria.
"Meu nome num é Juliana Maria é Maria Juliana". Decidira não mexer já que não era pra ela. Colocou sobre a pentiadera velha de seu quarto. Passaram trÊs dias e ela ainda não lera a carta. Decidiu abrir e ler. Não era pra ela dizia a si mesma e pensou "Se tivesse errado a sequencia de meu nome? Sim vou ler. Se não for pra mim eu guardo ou jogo no lixo, também não conheço nenhuma Juliana Maria". Abriu a carta. Seu coração disparava. As palavras iam sido faladas em voz alta. Uma leitura bem pausada e bem dificultosa. Há anos não lia nada. Assim a carta era escrita:


" Pensei que poderia viver sem tuas pernas sacanas por entre as minhas. Pensei que sobreviveria sem teus beijos e sem tuas carícias. Você me pegou de jeito a cada dia que nos encontrávamos. Tua boca vermelha que me beijava a cada instante me deixavam maluco. Tuas curvas que pude me deliciar de cada uma delas serão pra mim os melhores passeios.


És linda como o encanto da rosa que desabrocha no amanhecer. Teus olhos cor de limão me fascinam. Quero te encontrar novamente.


Não me deixa ficar sem ti por muito tempo.."
                                                                                                  
 Pra sempre teu, Cherie


Ela suspirou, olhou as letras e disse agora em voz alta ; "pra diaxo não coloca o nome?! Prefere colocar C.H.E.R.I.E num sei nem como se ler!! Quantas palavras lindas.. ardentes.. É muita safadeza e sou uma mulher direita. Quem foi o canalha que escreveu isso?" Logo se lembrou  com uma expressão triste " Num é pra mim". Foi até o espelho e viu seus cabelos feios, desarrumados. Lembrou-se das palavras da carta. Começou a mexer e arrumá-los. Ligou o chuveiro com água fria e começou a se lavar. Lá dentro dela lembrava-se de seu amor com Jorge, seu marido assassinado, sempre  dirigia o seu pensamento quando lembrava dele de "o marido assassinado", decidiu não mais lembrar dele daquela forma. Ele a amava e ela estava matando sua própria vida lentamente. Se arrumou toda. Olhou-se no espelho e disse "pareço com gente". Passou algum tempo olhando-a. Na carta dizia "teus olhos cor de limão", mas o meu era cor do mar. Nunca prestara atenção nesta comparação..
Riu de sua ingenuidade e disse "Pra que me arrumar? Uma carta não muda nada. Sem amigos. O trabalho que levo num tem como ter unhas impecáveis, cabelo arrumado.." Foi até o espelho se despenteou toda. Voltou tudo ao normal. Só não, o cheiro do perfume que permanecia. 
Ela mudaria de vida, mas nem se quer ela percebia.
Foi até a sala e viu uma  carta. "outra", pensou. Abriu imediatamente eufórica. Assim dizia a carta:




PS: CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...rs

27 outubro 2010

"Te busco te procuro.. No silêncio tu estás"




Clara pegou uma caneta, um lápis e uma foto e um pensamento: TUDO FOI INCRIVELMENTE VERDADEIRO!!!




"Quero te pedir um favor: não larga mais de mim..
A cada sumiço teu abre um buraco dentro de mim
A tua ausência que a distância já me obriga a me deixar sem ti  é grande demais!
Todas as incontáveis estrelas que contamos por meio do caminho não se apará jamais. Amizades são sagradas e o território de teu coração é sagrado, não tenho direito de te ferir, nem quero. Quero viver com você. Ser pra ti  como que um elo entre vidas que nunca poderá se quebrar.
As estrelas mostraram o brilho do meu olhar e te farão lembrar da inúmeras estórias contadas sussurradas por entre o brilho de cada estrela.
Te verei um dia face a face e este dia não tardará a chegar.."


Simplesmente, 
Sua Ana Clara