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"Se o cotidiano lhe parece pobre, não o acuse: acuse-se a si próprio de não ser muito poeta para extrair as suas riquezas." |
Vai até a cozinha pega um copo com água, coloca suas coisas sobre a mesa, liga a tv e senta no sofá,colocando suas pernas sobre a mesinha do centro que tivemos o descuido de deixá-la toda bagunçada.
O olhar voltado para a tv. Mas a percepção de seus pensamentos vagam.
Coloca o copo no braço do sofá e percebe com espanto e fala: "Oi, você tava aí? Venha cá..
Estava parada, encostada na parede por alguns minutos observandoo que seus gestos tão cotidianos queriam expressar naquele dia.
Tomou sua mão e sentou ao lado dela.
Perguntou já sabendo da reposta: "O que tá passando na tv?"
E com toda a sua espontaneidade de opnião fala: "oxi, lá sei!"
Sorrimos e voltamos a olhar para a tv, onde falava de um tal João e Maria.
Com meus pensamentos quis percorrer os dela:
"Será que pensa no João e Maria que se fala? Ou preferiu pensar no trabalho cansativo que teve? Ou ainda decidiu pensar na biologia, na botânica, na síntese de proteína, em citologia..Não, ela não pensaria. Ela odeia biologia. Então não ocuparia sua mente com coisas que odeia, não é próprio dela."
O cotidiano nos leva a percorrer o que o outro se apresenta, não dependente do agora mas, dos instantes seguintes.
Meio que desconcertada, pedi-lhe: "Me dá um abraço"
Ela sorriu e disse: "Vamos ver o por-do-sol? Ainda dá tempo."
E imediatamente saímos de mão dadas, caladas, caminhando pela orla da tal cidade.
O sol já estava quase indo,mas o espetáculo de cada dia não passou desapercebido. Olhei para o lado e vi outros que também se impressionavam coma grandeza daquela beleza. O céu alaranjado, cores que são reais, foram pintadas a mão do Criador.
Ao percorrer o olhar sobre aquele cenário, o vento qe tocava o seu rosto e que bagunçava os cabelos. Olhei para ela. Os seus olhos contemplavam aquela beleza com seriedade. Não mais como estava diante da tv. Agora não era mais preciso pensar no que ela estava pensando. Toda a projeção de seus gestos revelou o que sentia. Olhei-a cuidadosamente , da forma de que é próprio dos que amam.
"Ilza".. sem conseguir a conclusão da frase , ela falou: "Não imaginei que existiria, após uma sequencia de formalidades o desconcerto delas num só segundo."
Meu olhar permanecia fixo a ela enquanto esta continuava a olhar "O espetaculo" e a alternava olhando nos meus olhos.
Mesmo já ter olhado várias vezes seus olhos, tudo parecia e permanecia diferente. E prosseguiu com as palavras: "Te ver todos os dias no cotidiano não me roubou a beleza de ser surpreendida por ti, por teu olhar fixo e navegador."
Sorri e ela me olhou fixamente .
O sol já estava indo e agora o céu estava em tons de cinza.
O seu sorriso me compenetrou e me fez sorrir.
A razão de tudo, ou quase tudo está no cotidiano. A beleza da sequencia dos acontecimentos, tendo como personagens os amores-amigos.
Como vai o cotidiano com seus amigos? Se preocupa em decifrar seus pensamentos ou prefere pedir pra ver um por-do-sol?
Saímos dali parecendo que nada estava concluído. Há algo pra ser concluído? Tudo já estava concluído, pensei.
Esta é a beleza do cotidiano.
Sairemos daqui pra tomar coca-cola juntas e você?
PS: HOJE DECIDIMOS TOMAR VINHO.